1 de janeiro de 2011

Roxão

Rumo ao escritório. Lotado trem das 7hs20.
E tem que ser o desse horário. Cinco minutos antes é cedo... Não troco um pouco da companhia de minha cama e cobertas pela conversa desnecessária antes do bater do cartão. Cinco minutos depois já é tarde. Chegar um tempo depois faz-me alguém infiel. Não à empresa, ou ao meu patrão, mas aos meus princípios. Gosto de agradar a todos, porém minhas obrigações só as que eu mesmo me imponho.

Hoje de madrugada, o temporal que deixou mais de 120 mil pessoas sem luz, pela manhã me presenteou com outros estragos. Levantei com a coragem de um herói, e fui desbravar o dia que amanheceu ainda escuro... triste.

Saí mais cedo, contrariando todas minhas expectativas. Tentei chamar o elevador e quando esse me recusou, olhei ao lado e a porta da escadaria me fazia um convite. Meus 12 andares que sempre me deram a esplendorosa visão, hoje, vejo - traidores! - não me falaram dessas entrelinhas do contrato. Desci cuidadosamente apressada, escorreguei numa poça - tudo doeu, mas tive um alívio nunca sentido antes. Escuridão. Nunca antes pude cair no anonimato, sem ter que olhar para os lados para me certificar que ninguém viu.

Corri à estação. O incomum povoamento me assustou. O trem chegando, aquela multidão apertada... e 7h20. Nem pensei se cabia ou não, me meti. Entre o trem havia espaço suficiente, contudo, perto da porta havia uma aglomeração inexplicável. Uma baixinha no meio, quase sumindo em altura, engrandecendo com a voz. Não vi nada além de seu cabelo. Ouvi logo a teoria que me fez entender algumas de minhas dúvidas.

"Ninguém gosta de ficar no meio no inverno. O interessante são as portas. Aquela esfregação! Corpo nos corpos. Minha perna na dele, o braço daquele no meu, os peitos dela nas costas dele. Acham que eu não sei? E além disso há os olhos, ah! incansáveis... Você olha olha e, de repente, há algum que se encontra toda hora com os seus. Em suma, diversão, em que só os olhos são criteriosos, enquanto o resto do corpo aproveita os toques."

Cheguei no trabalho. Um dia totalmente diferente, porém fiel. O mesmo horário! Mas algo estranho... minha mão direita com mais cor que o normal. Ela bonita e inchada. Lembrei, foi o baque de meu tombo! Ninguém nunca deve ter reparado na beleza das inúmeras cores depois da batida, não é? O famoso "roxão" que é na verdade um lindo arco-íris de cores escuras.

12/07/10

7 comentários:

  1. Caraca, tu ta escrevendo muito bem!
    Li tudo com vontade de ler mais....
    Parabéns!

    De: Suco de abacaxi!

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  2. Muito bem Bibi! Assim como eu, tu é uma pessoa muito observadora, me identifiquei afú com o seu texto! Às vezes quando pego o trem eu imagino tudo isso que diz, e, principalmente, meus olhos se encontram com o de todos! asuhsauhsahuas Beijão morena!
    Márcio

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  3. OO que texto viu.
    como o carinha aí de cima falou...
    a gente ler com vontade de ler mais.

    Toda a construção do texto extremamente empolgante.
    Enfim. irei reparar no arco-íris de cores escuras agora.

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  4. Sua narração é incrivel. Acredite q nao é facil encontrar alguem q escreve tão bem e de forma tão interessante. parabéns pelo blog,acredite q esse eh um elogio sincero.

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  5. concordo com o gustavo... tá mto gostoso de ler... blog novinho? sucesso tá? beijo grande

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  6. Belo texto.
    beijao! espero por novas postagens!

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  7. bibiiii, te inspirou hein
    escreve mto bem mesmo....
    martha medeiros...
    hsaushuahs....
    ^^
    bj Laila

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