26 de maio de 2009

Lucas Sodré

Tive um cunhadinho, o Lucas, 11 anos, garoto que tinha um mundo em mãos e não sabia. Simpático e gremista, mas cheio de manias! Já que o Gui fazia só miojo, ele achava que era muito nojento. Então já vinha cheio de imposições. Segunda (e apenas esse dia da semana) ele pedia pra que eu e o Guilherme fôssemos com ele num restaurante perto da UFRGS, segundo ele, preparavam toda comida no começo da semana e iam só requentando nos dias seguintes. O pior é que fazia sentido, logo sempre concordávamos com a escolha.

É, o mocinho se dizia fã de rock, mas os únicos pôsteres que tinha eram do Luan Santana... vá entender. Só ligava a TV pra assistir "Wonder Years" porque a guria da série era muito gata! Ele curtia praia, ficava se bronzeando e adorava ficar com a marquinha de relógio, segundo ele, era sexy e seduzia todas garotas!

Ele nunca tinha muito tempo pra ficar lá em casa comigo e o Gui. "Não pode ficar até o sol raiar, te comporta", dizia a minha sogra. E nem o Gui queria que ele ficasse, mas eu nunca deixava o Luquinhas voltar pra casa! E talvez nem ele queria voltar também. Ele me dizia de meia e meia hora, Tia Bibis, tô indo tá? (Isso um dia até às 7hs da manhã!) Mas é que eu queria um pouco mais aquela criança, aquele sorriso, aquele menino doce. O Gui morria de ciúmes, mas não tinha como evitar, eu sempre adorei crianças!

É, Consegui terminar com o Guilherme e com Porto Alegre há anos - é importante saber medir o quanto precisamos de cada lugar e de cada pessoa. E o cunhadinho? Fiquei sabendo que ele vai ser farmacêutico e quer ter 12 filhos! Se não der certo arranjará uma mulher pra sustentá-lo, pelo menos pra pagar as cevas, diz ele.

Que garotinho, o Luquinhas! Uma lembrança boa, um amigo que ficou! Provavelmente nunca mais o verei. Todavia - como eu sempre dizia - ele continuará sendo: "um amorzinho, um amorzinho, um amorzão..."