23 de outubro de 2009

cigarro.

Enquanto alguns partem corações, outros têm o coração partido. Alguns morrem e os que ficam aguardam um impossível consolo. Ao mesmo tempo que não somos entendidos por ninguém, outros estão amargos de tanto entender, perceber o imenso egoísmo humano, a falsidade e a desmedida luxúria.

Durmamos, no mesmo instante outros compensam trabalhando sem parar. Acordaremos cansados e automaticamente viveremos outro dia. Ao piscar, olhamos o relógio. Já é noite, deitaremos. A mente divagará nas lembranças do compromisso de amanhã, na festa do próximo sábado, nos etc. do dia. E recordamos de novo, temos mesmo que dormir.

Encerraremos mais um de nossos noturnos olhares pensantes,
a cama nos abraça e o travesseiro,
tão pedinte para ser mais usado, conforta.

É tarde. Ciclo vicioso...
Quero tanto largar esse cigarro,
que me deixe em paz, por favor.

23/10/10, 23:30

1 de setembro de 2009

Prazer, eu.



Adoro sair de uma conversa com um sorriso no rosto, sempre! adoro pessoas, jeitos, sorrisos, abraços - muitos, aliás! Adoro covalentes ligações - moleculares - e a palavra-chave delas: compartilhar! Precisávamos mais delas! Compartilhar alegrias, afeto, amor. Isso faz tanta falta.

Por isso adoro seguir as leis físicas, principalmente as do equilíbrio térmico, quem tem mais calor cede pra quem tem menos... Claro! Por que não? É tão bom passar um pouco de minhas alegrias, ou ouvir alguém empolgado com um projeto (não há como não se animar por difusão facilitada). Se soubéssemos equilibrar mais, quantas dores deixariam se ser vividas como explosões? Não quero guerra (até aceito discussões, especialmente aquelas que acabam com aquele abraço doce e forte que, embora não confessado, queria ser dado há um bom tempo), é só afeto que carecemos, não entendo porque ninguém vê isso.

Não economizo sentimentos, frases, falas, muito menos carinho. Pra mim, tudo são hipérboles, exageros bons, se bem utilizados. Só aceito emoções assumidas, usar 'mais ou menos' só na fórmula do filósofo Bháskara.Ou gosto, ou não. Melhor assim, ficar em cima do muro pode ser cômodo, mas ninguém alertou da monotonia e do cansaço de lá? É melhor optar, estar com quem queremos, com todas imperfeições, detalhes. Quero me sentir completa, e pra isso não preciso de tudo, ninguém se sente completo com tudo, no máximo fica perdido.

O que mais me incomoda são as fronteiras, no saber, no dividir, no aprender, na compreensão, e principalmente no amor. Pra quê tanto individualismo, é medo? Deve-se ter medo sim, mas apenas de nós mesmos e do quanto ainda nos privaremos e nos limitaremos. Começa-se a viver apenas quando há a descoberta que nosso único abismo está em nós!


11/set/2010

26 de maio de 2009

Lucas Sodré

Tive um cunhadinho, o Lucas, 11 anos, garoto que tinha um mundo em mãos e não sabia. Simpático e gremista, mas cheio de manias! Já que o Gui fazia só miojo, ele achava que era muito nojento. Então já vinha cheio de imposições. Segunda (e apenas esse dia da semana) ele pedia pra que eu e o Guilherme fôssemos com ele num restaurante perto da UFRGS, segundo ele, preparavam toda comida no começo da semana e iam só requentando nos dias seguintes. O pior é que fazia sentido, logo sempre concordávamos com a escolha.

É, o mocinho se dizia fã de rock, mas os únicos pôsteres que tinha eram do Luan Santana... vá entender. Só ligava a TV pra assistir "Wonder Years" porque a guria da série era muito gata! Ele curtia praia, ficava se bronzeando e adorava ficar com a marquinha de relógio, segundo ele, era sexy e seduzia todas garotas!

Ele nunca tinha muito tempo pra ficar lá em casa comigo e o Gui. "Não pode ficar até o sol raiar, te comporta", dizia a minha sogra. E nem o Gui queria que ele ficasse, mas eu nunca deixava o Luquinhas voltar pra casa! E talvez nem ele queria voltar também. Ele me dizia de meia e meia hora, Tia Bibis, tô indo tá? (Isso um dia até às 7hs da manhã!) Mas é que eu queria um pouco mais aquela criança, aquele sorriso, aquele menino doce. O Gui morria de ciúmes, mas não tinha como evitar, eu sempre adorei crianças!

É, Consegui terminar com o Guilherme e com Porto Alegre há anos - é importante saber medir o quanto precisamos de cada lugar e de cada pessoa. E o cunhadinho? Fiquei sabendo que ele vai ser farmacêutico e quer ter 12 filhos! Se não der certo arranjará uma mulher pra sustentá-lo, pelo menos pra pagar as cevas, diz ele.

Que garotinho, o Luquinhas! Uma lembrança boa, um amigo que ficou! Provavelmente nunca mais o verei. Todavia - como eu sempre dizia - ele continuará sendo: "um amorzinho, um amorzinho, um amorzão..."